Olá!
Sábado, Fevereiro 12, 2005
Quem tem medo da fofoca?
Essa história pode ser contada de duas maneiras.
Primeira:
Um amigo telefona para o outro numa tarde. Diz que está indo visitá-lo. É uma tarde dessas de chuva que já passou, e aquela umidade e frio característicos de uma certa época do ano estão por ali. Ele chega e os dois contam um pro outro as novas, que já estavam ficando velhas. Sim, fazia algum tempo que não se encontravam. Ainda assim, nem tudo que contavam como novidade surpreendia, pois não raro já tinham escutado da boca de outra pessoa. Foi assim que não houve espanto ao contarem de seus filhos, de seus carros, de suas viagens, de seus adultérios. Ficaram ali por umas quatro horas, e o visitante, comovido, convida o anfitrião pra visitar um velho amigo, do tempo do colégio. Como era mesmo o nome dele? Foram de carro, relembrando mais e mais histórias, das namoradas, de outros amigos, daquela menina que havia se matado com veneno pra rato. Que terrível! Chegam numa ruazinha estreita, escura, já é tarde. O que estava dirigindo aponta com o dedo a casa do antigo amigo de colégio, onde se vê, em frente, a silhueta de alguém. Descem os dois do carro e vão em direção do vulto de homem. O que vinha no volante caminha um passo à frente, e tem agora a expressão um tanto tensa. O homem-vulto-velho-amigo-de-escola nem tem tempo de dizer nada, vê um braço erguer-se em riste e apontar-lhe o cano de um revólver.
Segunda:
Um amigo telefona para o outro numa tarde. Por telefone mesmo lhe conta que está tendo um caso com a mulher daquele amigão que eles têm em comum, com quem tomaram umas cervejas ainda no dia anterior e também que bla bla bla etc
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postado por: RICARDO MARADEI 1:25 PM
Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005
Em nome do ocorrido ontem a noite, reedito um texto que publiquei em 22/4/04, no antigo blog
Mikrofonia.
Abre aspas:
...e como todo mundo tá sendo assaltado, eu não podia ficar de fora.
Possíveis problemas ao reagir a um assalto:
1-levar um tiro e morrer
2-levar um tiro e ficar entrevado
3-levar um tiro e passar o resto da vida andando com um vidrinho pra defecar por um furinho no abdômen.(isso acontece quando parte do seu intestino é destruída)
4-levar um tiro,não ter sequelas, mas doer pra caralho
5-pegar muito soco
Possíveis vantagens ao reagir a um assalto:
1-descobrir que o cara não tem arma nenhuma escondida e encher ele de porrada
2-descobrir que o cara tem, sim, uma arma, conseguir desarmá-lo e encher ele de porrada.
3-arrastar a cara dele no asfalto até ele não conseguir mais emitir fonemas bilabiais.
4-beber o sangue dele numa festa (churrasco) com amigos
5-levar um tiro, ver a bala ricochetear no seu peito e descobrir,afinal, ser o super-homem.
Pesando os lados, melhor é não reagir, eu acho.
Fecha aspas.
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postado por: RICARDO MARADEI 11:41 AM
Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
O Motivo
Baseado em fatos reais
Cenário: posto de gasolina, ali na Tavares Bastos
Alguém desce do carro pra comprar cigarro e vê um filhote de gato em cima do muro, olhando pra baixo querendo descer. Quando vai tentar ajudar o bicho, o cara do posto avisa:
-Ei, não faça isso, se ele descer pode ser atropelado pelos carros que passam aqui...
-Ah, obrigado por avisar, eu não sabia.
- ...e depois quem vai ter que limpar a sujeira sou eu!
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postado por: RICARDO MARADEI 10:46 AM
Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
-Queria lhe contar uma coisa
-O que é?
-Sabe, é sobre algo que eu ainda não tenho muita certeza...
-Como assim?
-Não sei se vai acontecer.
-Hipotético?
-Supostamente.
-An?
-Ainda não sei se é hipotético...
-Hum... bom, já perdemos muito tempo, me conte logo!
-Não sei, é sobre algo que não tenho muita certeza...
-Não tem problema, pode contar!
-Tudo bem, então, se você não se importa de se frustrar se não acontecer...
-Espera aí, do que se trata isso afinal?
-É que não tenho certeza se vai acontecer de fato, e não quero lhe decepcionar.
-É grana? É isso? O bilhete que eu comprei, você acha que ta premiado?
-Não, não tem nada a ver com isso...
-Meu Deus do céu, então me diz logo o que é!
-Tudo bem, então lá vai, vou dizer tudo de uma vez pra não ter erro...
-(...)
-(...)
-Diga!
-Não consigo...
-Olha, você precisa me contar isso, ou eu vou ter um ataque de nervos. É o consórcio do carro? Vamos! desembucha!
-(...) (cabeça baixa)
-Olha, você tem certeza que isso não é uma brincadeira? Você sabe o que quer me contar? Ou isso é tudo invenção da sua cabeça?
-Não, não, mas, digamos que sim..
-An?! Você inventou isso tudo?!
-Não sei, supostamente, não sei...
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postado por: RICARDO MARADEI 2:04 PM
Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
- Já devem ter te falado que você é muito inteligente.
- ....
- E já devem ter te falado "já devem ter te falado que você é muito inteligente", não é mesmo?
- ( meio sorriso, mas só por dentro )
- O que há de melhor em ti já te disseram, eu não direi nada.
- Mas estás aqui dizendo...
- Não, não estou. É você que está aqui escutando. Eu tô longe...
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postado por: RICARDO MARADEI 1:06 PM
Quarta-feira, Janeiro 12, 2005
A Senha
Júlio tava na aula quando a mãe ligou:
-Júlio, meu filho, o técnico que o seu pai chamou veio aqui pra ajeitar o seu computador.
-Certo, mãe, e o que tem isso?
-Acontece que o computador está pedindo uma senha pra poder acessar o sistema operacional. Qual é?
-Ah, certo. A senha? Deixa eu lembrar...
E derrepente, fatídico destino, se lembrou da senha que tinha escolhido. Não era algo que podia ser dito assim, sem que parecesse muito estranho. Tinha escolhido a seqüência: gls2424. E agora vinha ela pedir pra dizer por telefone. Que fazer? "Que vão pensar de mim?" Refletiu um pouco mais e resolveu:
-Esqueci.
-Como esqueceu?
-Simplesmente esqueci.
-Meu filho, o técnico cobra a visita, seu pai vai ficar furioso por ter que gastar dinheiro de graça.
-Que posso fazer mãe?
Não ia dizer a senha pra ela. Tinha escolhido aquela combinação porque era fácil de decorar, mas nunca achou que precisaria confessá-la pra alguém. Não estava conseguindo acessar a internet, por isso avisara o problema ao pai. Mas, pelo menos essa semana, receberia seus e-mails e faria suas pesquisas e digitações na casa de algum amigo. A mãe se despediu no telefone contrariada e desapontada com o jeito do filho, logo ele que tinha tão boa memória! Mas Júlio achou por bem deixar assim. Chegando em casa, se "lembraria" da senha e trataria de mudá-la para algo menos comprometedor. Sim, usaria a data do seu aniversário, foi o que decidiu no caminho. Quando ia bater na porta, sentiu que estava apenas encostada. Silêncio. O pai comendo olhava para o nada. Foi direto para o quarto. Pro lapso que havia cometido, até que o silêncio mortificante do pai tinha saído barato, pensou. A mãe veio atrás. Encontrou ele ligando o computador.
-Seu computador foi consertado.
Júlio em silêncio.
-O técnico arranjou uma maneira de descobrir a senha. Formatou o HD. Limpou todos os vírus. Seu pai até pegou umas dicas com ele.
-Ah, legal, mãe, balbuciou o filho. (digitando a senha)
Ela já ia saindo do quarto, mas se voltou e disse:
-Olha, não perturbe muito seu pai hoje. Ele teve um dia cheio e está muito cansado.
-Tudo bem, mãe. (digitando a senha novamente)
Ela ia saindo de novo e foi a vez dele:
-Mãe!
-Que?
-Mudaram a senha do computador! Qual é a nova?
-Ta com o seu pai, meu filho, o técnico passou pra ele.
E durante as semanas seguintes, descobriu uma enciclopédia na estante, usou bastante o telefone e gastou muitas, mas muitas folhas de borrão.
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postado por: RICARDO MARADEI 6:53 PM
Quarta-feira, Dezembro 29, 2004
Você alguma vez usou fósforos Cavalo Vermelho? De repente você ta na sua casa, não tem nada pra acender aquele cigarro da madrugada, dá uma vasculhada no armário e lá encontra uma caixa. É bem maior do que aquela miudinha da marca Guarani, que você ta acostumado a destruir com as mãos bebendo uma cerveja. Você vai acender o cigarro e nota inscrito nela o aviso: Fósforos de Segurança! E pensa: melhor tomar cuidado. Não são fósforos quaisquer esses. Mas pra que servem? Será que pr'aqueles tipos gradalhões que tomam conta de eventos fazerem o seu trabalho? Afinal de contas, você olha melhor e percebe que pode atear fogo num quarteirão inteiro com aquilo. Imagina a cena. Uma turma querendo bagunçar a festa, daí o mais esperto do grupo nota por baixo da jaqueta do segurança uma camisa com a marca desenhada: Cavalo Vermelho. E vê ele tirando do bolso uma caixa. Se reúne com os outros e decidem que é melhor desistirem do plano. Outra: um homem de paletó, aparentemente inofensivo, entra num banco fingindo ir sacar o salário do mês. Do nada ele se posiciona onde todos possam vê-lo, e grita: isto é um assalto, todo mundo no chão! Ainda tentam correr, mas ele abre o paletó e todos se atiram ao chão ao ver colado em seu corpo com fita isolante dezenas de caixas Cavalo Vermelho. Daí você pensa mas pra que tudo isso? Que exagero! Tudo que você quer é acender um cigarro. E você risca o fósforo ( fósforo?) e não queima os cílios porque consegue desviar a tempo os olhos da labareda que se acende. Vai vasculhar de novo o armário, todo desconfiado (o que a mamãe faz com esses fósforos?), precisa encontrar uns de gente comum, talvez use o fogão, qualquer coisa, meu Deus! Um lança-chamas ou talvez um... isqueiro! Perdido entre talheres e palitos de dente. E esse era todo branco. Marca nenhuma desenhada.
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postado por: RICARDO MARADEI 6:14 AM
Quinta-feira, Dezembro 09, 2004
Convite pra jogar bilhar! Tava lendo um texto sobre a desigualdade econômica nos EUA e lá tocou o telefone. Preciso dizer que desconsidero muito quem lê coisas que mencionam o índice Dow Jones ou o fundo de Comodities (assim se escreve?). Por isso, hoje e ontem foram dias em que não me levei a sério. Normalmente me escuto e digo: "Ricardo, vá para o quarto e termine de ler esse texto". Ou: "pare de ficar tocando nada no violão e termine a sua resenha", e deixo o bilhar pra lá. Fico resistindo pensando no barulho seco da bola contra o ferro da caçapa, o ruído acalentador dela descendo até a gaveta. E vou garantindo meu futuro, aprendendo que "a renda familiar dos americanos sofreu uma queda na década de 90" ou que se pode fazer um bom trocadilho com Dow(n) Jones e usar como nome de canção. Um café, comprimidos de vitamina B, um esforço colossal e termino de ler três parágrafos. Agora já sei que "a redução do salário pago por hora aos homens ocorreu principalmente entre os trabalhadores com nível de renda mais baixo" e que os mais ricos não sofreram perdas. Depois disso tive que ligar o rádio pra tirar aquela música tenebrosa ("e o motivo todo mundo já conhece, é que o de cima sobe...") da cabeça. Mas não esqueci do convite. Só estou esperando interfonarem pr'eu descer. Provável destino: bar do Poroca, ali no Telégrafo, onde tem um figura muito gente boa que nunca se mete no jogo do parceiro, mas dá um grito no ouvido do coitado se lhe ocorre uma idéia repentina para uma jogada. Lá só tem uma mesa, mas a ficha sai por R$ 0, 30. Uma boa pedida pra dias de pouca grana (dica econômica). E então me lembro que não devo sair. Que o meu negócio hoje é economia, e daqui pra meia noite tenho que ficar safo no assunto. O telefone toca outra vez. Meu Deus, já chegaram e estão lá embaixo me chamando! Preciso resistir. Acho que vou inventar uma mentira. Pronto: estou doente!
Mas era Clarice.
Descobri mais tarde que ninguém foi ao bar do Poroca, queriam um lugar com mais mesas, mais distante e com a ficha custando o dobro do preço. Chegou até a tocar aquele sucesso do grupo As Meninas.
Mudando de assunto, fiz uma descoberta lingüística: A palavra "válido", aqui em Belém, é não raro um adjetivo que, se não esconde palavrões, no mínimo não diz o que quer dizer.
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postado por: RICARDO MARADEI 10:10 AM
Domingo, Novembro 28, 2004
Clarice veio anteontem aqui em casa. Eu não sabia se realmente viria. Encontrei com ela muito por acaso pela universidade, ficamos conversando sobre qualquer coisa como Manuel Bandeira, Belle and Sebastian, e também sobre ela mesma, eu e o resto do mundo. Tomando uma Coca Cola com sanduíche natural, marcamos de ela passar aqui pela pedreira, escutar qualquer disco legal e comer a polenta que a mamãe faz. E ela veio.
Clarice é uma menina. Tem 18 anos. Mas já casada. Me contou do calor que tem sentido aqui em Belém e de como tem lidado com a poeira no Central Hotel, onde está hospedada. Ela chegou meio tímida, foi recebida pela minha mãe e me esperou acordar do sono da sesta, que ela já experimentou. Mostrei um disco do Ronnie Von , que milagrosamente consegui emprestado em vinil, e ela achou legal. Algumas coisas na internet, mas não conseguiu se interessar. Me perguntou pela moça na fotografia em cima da estante. Aí eu disse: "essa é a Luiza, tá chegando daqui a pouco, quer te conhecer". Pediu pra ir ao banheiro e aproveitei pra esconder os volumes de "Perto do Coração Selvagem", "A Paixão Segundo G.H". e "A Hora da Estrela". Medo de que pensasse que eu sou um psicopata fanático. Mas voltou e eu havia esquecido de recolher o livro de cartas compiladas, escritas por ela, entreaberto em cima da escrivaninha. Luiza chegou e o assunto ficou passeando por Freud, calor escroto da cidade, música que vinha lá da avenida principal, drogas leves e televisão. Depois de um breve silêncio, Clarice ergueu a cabeça e de repente perguntou:
-Em que ano estamos?
Tava me esforçando pra entender a piada, quando ela insistiu:
-Em que ano estamos?
Estava talvez séria demais, e considerando que não fosse piada, logo respondi:
-2004.
Fez um leve ar de estranhamento, levantando as sobrancelhas um instante e depois baixando novamente. Não nos olhou mais fixamente nos olhos. Disse que precisava ir e pediu desculpas pela pressa. Tentamos não insistir muito pra que ficasse, então ela mesma perguntou pela polenta, que acabamos comendo todos juntos com umas caras de "o que será que aconteceu?". Se despediu novamente e foi embora como se tivesse entrado pela porta errada.
Fiquei sabendo que não deve se demorar por Belém, parte antes de acabar o mês. Vai passar seu aniversário em Nápoles, ao que parece.
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postado por: RICARDO MARADEI 2:32 AM
Quarta-feira, Novembro 24, 2004
Hum... "chegou a cura para doenças incuráveis", "pare de fumar fumando". Pô, que frases legais essas! Mostra que trambiqueiro também pode ter estilo literário. Nesse caso, caracterizado pelo paradoxo de idéias. Engraçado essa última. Vi o comercial na tv. O carinha dizendo que é só você borrifar um spray na garganta que gradualmente passa a não ter mais vontade de fumar. Esse negócio de resolver tudo no spray parece coisa de filme do começo da década de 80 sobre o século XXI, mas ninguém se importa. O engraçado é que depois de passar horas falando da infalibilidade do spray, o cara acrescenta: "e mais: se você ligar agora, receberá também um vídeo com técnicas para deixar de fumar de vez, bla, bla, etc". Pô, não era só o spray? Que negócio é esse de vídeo? Bom, não importa, eu nem quero parar de fumar mesmo. Até porque mal comecei. Daí não cola, não é mesmo? Todo mundo tem alguma história dramática pra contar: "fumei, durante 26 anos, duas carteiras por dia", "já eu fumava duas carteiras de manhã, uma a tarde, e duas de noite", "eu fumava uma carteira por hora e nos intervalos ficava cheirando rapé o dia inteiro". E se eu parar agora? Que história vou ter pra contar? Não vou parar de fumar. Ainda estou compondo minha imagem. Risco de câncer? Impotência? (essa do cigarro em forma de bengala foi fo...) Não me importo. "Chegou a cura para doenças incuráveis! Câncer, Enxaqueca, diabetes!" Posso até exercitar tudo que eu aprendi na minha vídeo-aula sobre ceticismo e duvidar dessa nova medicina e, então, decidir me cuidar e parar de fumar. Mas pode ter certeza que vai ser fumando.
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postado por: RICARDO MARADEI 12:25 AM
Sexta-feira, Novembro 05, 2004
Coluna Notas Gerais
* Po, devia tá terminando ( começando ) meu trabalho-matéria sobre o Chalé de Ferro da Ufpa, mas estou aqui escrevendo sobre qualquer coisa. Um observador atento poderá perceber que os últimos textos só têm aparecido aqui depois de alguma chamada de atenção, agradeço a quem me alerta. Tenho tentado manter um ponto de equilíbrio entre o chato e o bem-humorado aqui, porque lá fora, no mundo - não digo real, mas não-virtual - tá ficando difícil. Dia desses um amigo lá de Comunicação, tentando ilustrar meu estado de espírito, disse que ficava me imaginando de paletó e gravata, como numa palestra, exibindo e comentando slides de pessoas e situações que eu não gostava. Fiquei um bocado de tempo rindo dessa. Acrescentei que eu podia estar usando uma daquelas canetas que projetam um laser no quadro. Agora toda vez que eu faço uma crítica ele diz: "slide nº...".
* Acho que foi semana passada que descobri que o Stereoscope tem um flog. Tava olhando um de alguma banda ou pessoa e lá estava ele, favoritado. O legal foi que incluímos um link pra baixar algumas músicas, e quem acessar pode então dar uma "olhada" no som da banda também.
* Nesse instante fiz uma pausa em que comecei e terminei meu trabalho-matéria sobre o Chalé de Ferro da Ufpa. Se pareceu rápido pra você, saiba que envelheci uns cinqüenta dias com o mouse bugado que eu tenho aqui. Quem tem mouse bugado sabe do que eu to falando.
* O Stereoscope não foi indicado em nada pro I Festival Cultura de Música. Nem melhor música, nem melhor grupo, nem banda revelação, nem caras mais legais. Tentamos nos inscrever na categoria melhor-disco-de-capa-alaranjada-com-foto-de-rádio-antigo, mas disseram que não havia essa. Uma pena.
* O "então" tá mesmo na moda. Na tv, na escola, nos debates políticos. Em alguns casos, e eu fico meio agoniado com isso, é difícil mesmo encontrar alguma expressão que dê mais propriedade para o que se está dizendo. Diálogo possível:
-Dr Jairo, gostaria de saber se posso pegar AIDS fazendo sexo virtual.
-Qual seu nome?
-Carla.
-Então, Carla, o sexo virtual bla bla bla etc.
Note-se o tom explicativo com que o termo é usado. O cara não disse nada e já parte pra conclusão, transformando o "então" numa versão moderna do "Era uma vez..."
Epa! Tive a impressão de ouvir alguém dizer: "slide nº..."
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postado por: RICARDO MARADEI 3:47 PM
Terça-feira, Outubro 12, 2004
Não tinha certeza se a gente ia tocar agora dia 15, mas como tá no flog do Eletrola...
ATENÇÃO!
SEXTAS INFLAMÁVEIS
15 de outubro de 2004, sexta-feira
Bandas: Stereoscope, Eletrola e Step 2
+ DJs + Bebida Gelada + Ar Refrigerado
Ingressos R$ 5
Mulheres Free até as 0:00 H
Local: Lithium (Tv. Quintino Bocaiuva c/ João Balbi, em
frente ao Spetus)
Info: 8821-1405
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postado por: RICARDO MARADEI 3:37 PM
Segunda-feira, Outubro 11, 2004
Vinil tem magia? Tem? E arte? É universal? Deus? É Bom? Deus é bom. Vinil tem magia. Cd é escroto. Não é isso? Arte boa é a popular, não é mesmo? Poesia não é mesmo uma coisa linda? E Rock? Ah! Rock é "do caralho!" Não é isso? É, não é? Não há nada como a nossa própria cidade, não é mesmo? Ainda que existam Pasárgada e Amsterdã, ainda que nossa cidade seja uma merda, ainda que só conheçamos mesmo essa cidade, não é isso? Deus é brasileiro. Quem espera sempre alcança. A droga é uma droga, Beatles é Beatles, sim sim tudo isso! Drummond é maravilhoso, Pessoa é... maravilhoso! Mário Quintana é fo-fo! Vinicius? Ah, o poeta da paixão! Roberto Carlos é sempre uma merda.
Alguns posts atrás, um carinha comentou aqui:
"Seu post sobre os fatos mais importantes sobre o rock só tem doideira: O Paul tá vivo até hj. John Lenon morreu em 1980, Raul Seixas morreu em 1989..... Só loucura........ Não entendi nada, mas td bem."
Não entendeu a piada. Ia explicar pra ele. Desisti.
Se não entendeu, nem devia ter lido. ( Deu pra entender? )
Belém é uma cidade ruim, nem é necessário sair daqui pra saber.
Se nunca tivesse conhecido outra cidade ( sequer pela tv), saberia ainda assim.
Cidade melhor? Não sei! Joga um dardo no mapa-mundi. Se não cair na Ásia nem na África, você acha. (Tomara que caia na sua testa!)
Ah, mas isso é relativo, não é mesmo? (aliás, tudo é relativo, não é isso? )
Gosto é que nem o símbolo do cobre, não é?
Bem, na minha opinião, acho que nem todo mundo tem direito ao gosto.
Penso que alguns têm pra si apenas o cu mesmo e olhe lá.
Explicação para o post (não precisa, mas eu quero): está em forma de instalação. E, portanto, provavelmente é muito bom.
Mas voltando, vinil tem magia?
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postado por: RICARDO MARADEI 2:50 PM
Sexta-feira, Setembro 17, 2004
Sábado, dia 18!
Galera, rápido!
* Amanhã ( sábado ) o StereoScope faz aparição numa matéria do Jornal Liberal 1ª edição, meio-dia.
* Quem quiser adquirir o cd Rádio 2000 da banda, pode encontrar na Ná Figueredo (Gentil Bittencourt, 449) ou na CD Store ( Tamandaré, quase esquina à Padre Eutíquio ).
* Olha só: de noite ( é, isso, isso, quando todos os gatos são pardos), o Eletrola faz show junto com o pessoal do Autoramas, que veio direto do Rio de Janeiro pra essa apresentação. Abaixo mais informações sobre o evento.
AUTORAMAS e Eletrola
Data: 18.09.2004, Sábado
Horário: 22:00h
Local: Casa dos Artistas (Tv. Ferreira Pena, 84 -
Umarizal, próximo ao Líder Top/Praça Brasil)
Ingressos Antecipados: apenas R$ 10 dinheiros.
Posto de Venda de Ingressos: Loja Na Figueredo (Gentil
Bittencourt, 449)
Informações: 224-8948 / 8821-1405
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postado por: RICARDO MARADEI 11:00 PM
Terça-feira, Setembro 14, 2004
Stereoscope downloads
Bom, devido à falta de tempo e à escassez de dinheiro (fatores que têm se alternado de maneira formidável) , não foi possível ainda pôr no ar o site do Stereoscope.
Então, até isso ser resolvido, aqui no blog terá um link pra quem quiser baixar canções (3) do disco Rádio 2000. É isso.
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postado por: RICARDO MARADEI 10:05 PM
Terça-feira, Agosto 31, 2004
Notei recentemente que algumas pessoas tem dúvidas sobre quem escreve aqui neste blog. Isso é uma coisa que acontece mesmo e não só aqui, mas também com outros blogs e flogs. Fico sabendo disso ao vivo e as vezes por e-mail*. No caso específico do Mikrofonia2, acho que a culpa foi do meu primeiro post, intitulado "Máquinas", que é meio ficcional, meio real, e foi escrito como se outra pessoa estivesse postando. Realmente fui eu que escrevi. É claro que, como minha impressão digital não fica no texto, o que eu digo aqui não prova nada, e realmente é totalmente possível reunir três ou quatro pessoas e montar um blog em que pareça que apenas uma escreve. Eu mesmo já pensei em fazer isso. Mas se os textos forem muito diferentes no estilo e se alguma contradição de fatos narrados/descritos ocorrer ( ex:num post eu digo que moro na Marambaia, no outro a padaria mais próxima à minha casa fica na Pedro Miranda), daí pode pintar a desconfiança de que existe alguém atuando nos bastidores. Talvez tenha sido o que aconteceu com Shakespeare e Homero, que foram alvos de teorias que diziam não ser eles os verdadeiros autores de suas obras. Não conheço direito essa polêmica, que, pelo que me lembro, especula que Homero sequer tenha existido. O caso que eu conheço envolve uma figura brasileira: Roberto Carlos. Pra muita gente causa estranheza que a mesma pessoa que escreveu "Amada Amante" (de 1971, considerada uma obra prima) também tenha feito "O charme dos seus Óculos" (de 1995, desconsiderada) e atribuem ao seu parceiro Erasmo Carlos a autoria das canções mais elaboradas. Eu tenho minha própria teoria a respeito disso. Na minha opinião, bem, na minha opinião, Roberto Carlos é filho de Homero e, portanto, não existe. O que existe é o ciborg RC1, protótipo da indústria fonográfica, que chora, canta, ri, anda e fala, assim como eu, que também sou um monte de chips e placas eletrônicas. Talvez por isso goste tanto do que ele faz. Uma questão de simpatia pela semelhança. Quando o pessoal do Stereoscope foi convidado pra tocar no Cultura in Concert em homenagem a ele, ficamos todos muito lisonjeados, pois a banda também é fã do Roberto. Não é uma coisa assim: "pó, o cara é cafona, mas é demais!" é uma coisa mais: "pô, mesmo que ele não faça as músicas que assina, já basta a maneira como canta". Algumas pessoas têm vergonha de dizer que gostam dele, outras de admitir isso pra si mesmas em pensamento. Algumas realmente não gostam. Costumo me dar bem com essas últimas. Algumas pessoas nunca ouviram Velvet Underground, mas dizem que gostam. Outras já puderam escutar e, mesmo não tendo gostado, têm vergonha de admitir. Muitas gostam de fato. É difícil dizer o que se pensa realmente quando isso pode vir a refletir um juízo de valor sobre o seu "bom gosto". Eu, paticularmente, gosto de Abba, Elton John e de uma dupla "tecnopop" inglesa chamada Erasure. Gosto do Pete Towshend e pouco me encanta o Jimmy Hendrix. Nunca assisti Cidadão Kane, mas baixei Predador 1 e 2 pra ficar assistindo o tempo inteiro aqui em casa. Acho o Microfonia2 legalzinho e prefiro os episódios mais antigos do Pica-Pau (aqueles em que a barriga dele era vermelha). E não vou fazer conclusão nenhuma pra esse texto.
*Tem um carinha insistindo em me mandar e-mails com vírus. Praticamente todo dia envia um com um arquivo anexado que é justamente o programa maligno. Faço questão de acreditar que seja só pra mim o e-mail que me chega e não pra uma centena de pessoas. E gosto de pensar que ele faz isso "artesanalmente", ou seja, que ele abre o e-mail, escreve a mensagem, anexa o seu brinquedinho e envia para mim. Assim fica mais fácil de imaginá-lo e de concentrar nele uma energia ( seria mais difícil se eu quisesse crer que se trata de uma mensagem gerada automaticamente) que fará com que ele estertore no chão após clicar o botão "enviar" do último e-mail que me escreverá na vida.
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postado por: RICARDO MARADEI 6:38 PM
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
PQP! To enrolado com um acorde duma música. Se eu fosse um artista famoso podia até fazer um daqueles concursos que já fizeram por aí: complete a música do seu artista preferido. Nesse caso: ache o acorde que Ricardo não está encontrando e complete sua maravilhosa composição dodecafônica. Tá certo, a música não tem título também, mas isso eu faço questão de encontrar. Aliás, colocar títulos em música é uma coisa muito divertida. Existem "pratecamente" cinco maneiras de se fazer isso. Vamos lá:
1ª Coloque o nome de algum filme antigo, mais ou menos desconhecido, que tenha ou não (principalmente não) a ver com a música em questão.
2ª Nomes em língua estrangeira também fazem efeito. Francês e inglês são os idiomas que mais se adequam a esse método.
3ª Pesquise, em livros de história, fatos importantes. Muitas músicas foram batizadas com nomes de acontecimentos históricos.
4ª Não sendo satisfatórios os métodos acima citados, use um nome de mulher que sempre resolve.
5ª Por último, sendo vencido pela mais completa falta de inspiração, use o método que pode ser entendido pela fórmula a seguir: estlo musical + preposição + o assunto tratado na canção. (ex: Canção de verão , Samba de Orly, Valsa das flores, etc.)
frase do dia: Se a vida virar as costas pra você, passe a mão na bunda dela. (anônimo, tirado de algum blog por aí)
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postado por: RICARDO MARADEI 11:43 AM
Segunda-feira, Agosto 16, 2004
Coluna Notas Gerais
* Raul Seixas está gravando disco novo. O álbum ainda não tem nome. As sessões estão ocorrendo no AudiUM, o estúdio do Ulysses. Fiquei sabendo disso de uma maneira bem legal. Estava eu aqui em casa, baixando o filme Cidade de Deus pela internet, e recebo ligação do Raulzito. Fazia já um tempo que isso não acontecia e eu pensava até que ele já tivesse se mandado de Belém. Me contou que resolvera ficar e gravar algumas canções que tinha feito recentemente. Quando me perguntou, falei que ele podia fazer isso no estúdio do Ulisses, o que ele achou bem legal. Isso foi num domingo. Segunda Feira mesmo fomos lá, pra ele conhecer o ambiente. Agora, o mais bacana mesmo foi que o Raul me chamou pra partcipar das gravações! As sessões começam assim que chegar a banda dele, que tá vindo aí.
* Dica do dia 1: recomendo, pra quem gosta de boa música e arte em geral, o disco Astral Weeks, de Van Morrison (1968). Eu ainda não escutei, mas isso não faz a menor diferença, garanto que é bom. Se alguém encontrar dificuldades em conseguir um exemplar, pode me procurar. Mas daqui a uns dois dias, que eu ainda to baixando na internet, e isso demora um pouco.
* Dica do dia 2: recomendo, para quem aprecia escatologia e absurdos em geral, a seqüência do "Padre Quemedo", paródia feita pelo programa Hermes e Renato sobre o padre que não acredita em nada. Imperdível.
* Nesse próximo domingo, quem não esteve em Algodoal poderá ver e ouvir pela Tv Cultura as apresentações que ocorreram no penúltimo final de semana do mês de julho na ilha. O programa começa às 15:30 e tem uma hora e meia de duração. Nele você não vai me ver pegando choque na passagem de som que ocorreu às 4 da tarde, não vai ver a turma das bandas transfigurada de ódio e fome porque a comida não saia no restaurante Bela Mar. Não vai ver também a polêmica que se instalou quando do sumiço em massa (opa!) dos guardanapos de papel (de seda) do restaurante Bela Mar. Mistério!
* Anteontem vai ter apresentação da banda de rock in Vitro (http://www.fotolog.net/invitro ) e Futurama no Café com Arte. Eu não fui, porque vou estar sem grana, mas quem puder, vá, porque vai ser muito bacana. Aliás, já fiquei sabendo que foi muito legal. To até pensando em deixar de não ir.
* Finalmente um interessado efetivou a compra da máquina de fazer dinheiro que foi posta a venda nesse blog. O artefato saiu pela bagatela de R$2.550. A compra foi registrada em cartório, no qual consta o valor dos meus honorários e o nome do comprador, que fui eu mesmo. Meu amigo agradece.
* Frase do dia: "viado é borboleta..." (Padre Quemedo, em resposta - aqui censurada - ao filho do capeta, numa das passagens mais imperdíveis do epsódio). No Kazaa você encontra procurando por "Padre Quemedo", daí é só mandar baixar o epsódio 5.
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postado por: RICARDO MARADEI 1:59 AM
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
Os dez fatos mais importantes da história do Rock (pra mim)
1946- Nasce Mark Bernadinni. O garoto passa a infância com um câncer na boca, o que lhe impede de se alimentar direito, mas sobrevive.
1954- Tina Turner lança a canção Thats Alright. Primeiro Rockn Roll da história.
1965-Os Beach Boys excursionam sem Brian Wilson, que decidira concentrar-se no estúdio. Para o seu lugar é chamado Charles Manson, que é expulso após cometer alguns assassinatos.
1967- Début de 4 importantes bandas: Velvet Underground, Pink Floyd, The Doors e Spiritual Feedback. No mesmo ano os Beatles lançam Sgt Peppers, que, descaradamente, imita o disco de estréia do Spiritual Feedback. Em terras tupiniquins, quem dá as caras são os Mutantes.
1968- O beatle Paul Mcartney morre em um acidente de carro até hoje cercado de controvérsias. Em seu lugar entra Stuart Sutcliff. No Brasil, Ronnie Von lança o seu ultra- aclamado disco tropicalista.
1978- Após agravadas discussões, que haviam perdurado durante anos, a performática banda The Who faz sua última apresentação, lança seu último álbum e se desfaz.
1982- No ano de lançamento de seu LP Back to Earth, John Lennon recusa a proposta dos outros três ex-beatles de retornar com o fantástico quarteto de Liverpool. Ainda no mesmo ano lança, em parceria com Mark Bernadinni, baixista do Spiritual Feedback, um álbum duplo intitulado Io God.
1987-Keith Moon, John Lennon e Brian Jones formam o Heavenly Express, power trio que iria excursionar pelo mundo e vender milhões de discos. O disco de estréia é produzido por Mark Bernadinni.
1993- No Brasil, o maluco beleza Raul Seixas sofre um ataque cardíaco e passa duas semanas na UTI. Recuperado, anuncia o fim das apresentações ao vivo. No ano seguinte lança Luz no Túnel, seu, até hoje, mais recente álbum.
2004- Morre Silvio Brito, em um acidente de carro no Rio Grande do Sul.
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postado por: RICARDO MARADEI 3:17 PM
Quarta-feira, Agosto 04, 2004
Queria avisar que este blog será atualizado sem nenhuma regularidade. Talvez haja tempo em que eu escreva todo dia nele, talvez tempo em que pareça abandonado. Fica aqui o meu agradecimento àquelas pessoas que gostam do que leêm aqui. Até lá!
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postado por: RICARDO MARADEI 3:10 PM
Quarta-feira, Julho 21, 2004
Máquinas
Gosto muito de máquinas. Máquina de moer carne, máquina de calcular, máquina de lavar roupa, máquina de costurar, todo tipo. Computador eu também gosto, mas computador não é máquina. É outra coisa que eu não sei. Máquina tem função específica. Serve pra isso, serve para aquilo. Máquina tem jeito de coisa antiga. Tem jeito de coisa inventada. Nesse caso, portanto, algumas máquinas deixaram de ser máquinas. É o caso do automóvel, que hoje não convence mais ninguém que seja fruto de imaginação e talento humanos.
De todas as máquinas, porém, aquela que mais me encanta é a máquina de fazer dinheiro. Essa é formidável. Em toda a minha vida tive duas desse tipo. Antes de comprar a minha primeira, pesquisei em livros (e também na internet) atrás de um modelo que mais me agradasse. Descobri que essas máquinas já não eram mais fabricadas e que haviam se tornado bastante raras, e que se quisesse muito comprar uma, deveria procurar em brechós e todo tipo de loja de usados. Foi quando virei um esquadrinhador compulsivo de ambientes empoeirados e cheios de fungo. Valeu a pena, pois foi num sebo, ali pelo bairro do Comércio, que eu adquiri, por chorados 325 reais, minha primeira maquininha de fazer verdinha. Não era das mais antigas, apenas um modelo anos 30, justo a década em que haviam parado de fabricar o aparelho. Mas era tudo: manivela com cabo de madeira trabalhada, caixa de ferro com detalhes em chumbo. Na lateral, em baixo-relevo, gravada numa peça retangular também de chumbo, estava a origem da raridade, que a corrosão do tempo nunca me deixou conhecer. Seria das alemãs, ou era um modelo americano montado aqui mesmo no Brasil? Nunca soube, apesar de ter investigado bastante.
Uma importante observação para quem tem vontade de se apropriar de um valoroso aparelho como esse com o objetivo apenas de obter dinheiro fácil é: pare, pois há caminhos menos tortuosos. Essas engenhocas, surgidas na segunda metade do século XIX, não são fáceis de serem utilizadas e a tecnologia com a qual foram feitas torna-as limitadas a produzir apenas a textura do dinheiro da época em que foram fabricadas. É certo que consegui grandes resultados com a segunda delas que comprei. Mas esta era um modelo não-comercial da década de 40, ao qual, ainda assim, eu precisei fazer uns ajustes, auxiliado por um grande amigo meu, estudioso obcecado pelo assunto. Ainda assim, nunca enriqueci.
Produzi, nessas empreitadas ilícitas, muito dinheiro que nunca soube de onde eram. Alguns eu pude ver escritos em Alemão, outros em inglês. Num deles, de origem não identificada, pude ler uma nota manuscrita, iguais a essas que circulam em correntes de simpatia por aí, fato que se tornou um mistério que até hoje permanece e me fez investigar ainda mais a fundo a tecnologia dessas máquinas. Demorei a produzir dinheiro em idioma português, o que me trouxe paciência e sabedoria necessárias pra nunca abusar da sorte em atos de estelionato desenfreado.
Muitas notas saíram nos jornais sobre falsificação de dinheiro, principalmente nos anos de 1994 e 95. Casos eram investigados e suspeitos eram apontados. Sei que meu nome foi mencionado algumas vezes, e é fato que a polícia veio até a minha casa me interrogar, por mais de uma vez. Aproveito aqui para esclarecer alguns pontos. Nessa época, não era eu o único a ter meios para produzir dinheiro real com minhas maquininhas. Outros colecionadores mais ambiciosos haviam dedicado mais tempo e dinheiro para a obtenção de resultados cada vez mais impressionantes. As espécies que estes podiam produzir jamais poderiam ser confundidas com as de qualquer outro método, quer seja fotocópia, quer seja impressão digital, quer seja o pacto com o demônio. Eu era apenas um curioso querendo saber até onde podia chegar, de maneira lícita, com tudo isso.
Hoje não faço mais experiências nesse ramo. Vendi minha primeira máquina. Me ofereceram um bom valor na mais recente, porém não quis vendê-la, devido ao valor sentimental agregado aos seus cinco quilos de madeira, chumbo e cristal líquido. Trabalho como publicitário e faço bicos como músico substituto da orquestra sinfônica do Pará, como flautista. E, embora este ano tenha sido bom, os últimos dois meses se tornaram complicados pra mim. A empresa onde trabalho abriu falência e estava protelando o pagamento de alguns ordenados meus. O consórcio do carro estava atrasado e tinha contas acumuladas de dentista e cartão de crédito a pagar. O SPC queria confiscar minha casa. Saí pra caminhar e pensar numa solução racional para o dilema. Resolvi, então, me desfazer de alguns bens pessoais e saldar minhas dívidas com o que pagassem por eles. E foi o que fiz. Tudo agora estaria bem, não fosse um pequeno problema. Alguns acharam estranho que eu não tenha me desfeito da máquina de fazer dinheiro justo no momento de mais aperto financeiro, apesar da quantia irrecusável que me fora proposta. A notícia se espalhou e agora a minha vida está uma loucura. Os vizinhos cochicham e ficam me olhando quando eu passo na rua. A polícia andou me procurando e recebi de um vizinho o documento de intimação que a polícia veio entregar na minha casa enquanto eu fazia compras no supermercado. Hoje de manhã vi minha foto no jornal, e não era a apresentação da orquestra sinfônica. Agora de tarde estou indo me apresentar na delegacia. Não tenho notas fiscais pra provar a venda dos tais bens que me tiraram da falência, e é bem certo que a pessoa que os adquiriu viajou recentemente para o exterior. Apesar disso, nada tenho a temer. Decidi, no entanto, me desfazer de minha máquina de fazer dinheiro. Gosto muito dela, mas tem me trazido muitos problemas, e estou mesmo precisando pagar um bom advogado. Agora estou aceitando propostas. Favor enviá-las pra este blog, espaço cedido a mim pelo meu amigo Ricardo para isso. Mas não me venham com ninharias!
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postado por: RICARDO MARADEI 1:25 AM